Darwin explica o casamento ostentação, mostra Hamilton Carvalho

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Virou moda entre brasileiros ricos
Por 360- HAMILTON CARVALHO

Virou moda entre os ricos brasileiros o tal do destination wedding, tendência importada dos EUA (de onde mais?), um casamento em que noivos e uma multidão de convidados viajam para “paraísos” dentro e fora do Brasil. Os destinos vão de Búzios a ilhas caribenhas e castelos na Europa.

Casamento, como aniversário, é um ritual ou experiência posicional, para usar o termo da economia. Em outras palavras, é um evento marcador de status social em que as pessoas gastam recursos expressivos para gritar em qual degrau da escada do sucesso estão ou imaginam estar.

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As evidências antropológicas indicam que essa gritaria e o desperdício proposital de recursos foram comuns em sociedades tradicionais, não industrializadas, servindo como uma forma de reafirmação de poder.

Nós, as sociedades modernas, não apenas sofisticamos a coisa, mas também adicionamos uma dinâmica nova ao fenômeno, graças ao poder de acumulação trazido pela instituição dos mercados. Essa dinâmica, como bem ilustrado pelo casamento ostentação, é a do encarecimento contínuo. Como o número de degraus na parte de cima da escada social é fixo, ocupá-los passou a exigir, com o tempo, um dispêndio de dinheiro cada vez maior.

É um fenômeno evolucionário como o que inflacionou o tamanho da cauda do pavão e a altura de árvores em florestas espalhadas pelo mundo. Na esfera social, ele se traduz na busca pela superação do padrão existente. Para gerar a diferenciação necessária, o céu é o limite. Há festas que custam vários milhões de reais, com shows de artistas de primeira linha, convites com códigos de barra e flores que chegam ao Brasil de avião.

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Mas o que pouca gente percebe é que esses efeitos se multiplicam degraus abaixo da escada social. Os rituais são imitados, os limites da gastança, alargados.

É fácil aqui também confundir o papel motivacional do dinheiro. Ele não é apenas a cenourinha na frente do burro, que faz com que as pessoas encarem trabalhos desgastantes e entediantes para sobreviver e pagar as contas.

Dinheiro é régua que sinaliza valor na sociedade, competência profissional e atingimento de metas de vida. Essa régua, como o leitor já deve intuir, não costuma ser medida em centímetros, mas em unidades de comparação com pessoas parecidas conosco, como parentes, vizinhos e ex-colegas de bancos escolares.