JN exibe suposta troca de mensagens de Moro com Bolsonaro Leia Matéria na Integra

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Ministro Sérgio Moro descendo a rampa interna do Palácio do Planalto, para participar da Cerimônia de Comemoração ao Dia Internacional do Voluntariado. Sérgio Lima/Poder360 02.dez.2019

Ex-ministro acusa presidente Aponta interferência na PF Bolsonaro contestou investigação Que atinge apoiadores no Congresso

PODER360

Jornal Nacional, da TV Globo, dedicou mais de uma hora nesta 6ª feira (24.abr.2020) para tratar da demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e de Maurício Valeixo da direção-geral da Polícia Federal. Depois de mostrar os desdobramentos da demissão, o telejornal apresentou supostas conversas de WhatsApp do ex-ministro com o presidente da República, Jair Bolsonaro.

Moro disse, ao pedir demissão, que Bolsonaro queria uma pessoa de seu “contato pessoal” em cargos de comando na PF para poder “ligar” “colher informações”. Afirmou também que o presidente teria interesse em inquéritos que tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal). Há pelo menos 2 inquéritos que se enquadram nessa descrição atualmente no Supremo: 1 sobre fake news e outro sobre a organização de atos que tinham, entre outras pautas, o fechamento do Congresso e do STF.

Globo disse que cobrou de Moro provas de que as acusações tinham fundamento. Moro teria mostrado, então, a imagem de uma troca de mensagens entre ele e o presidente, ocorrida na 4ª feira (22.abr).

O contato de Bolsonaro mostrado na tela do celular de Moro é identificado como “presidente novíssimo”. A imagem mostra que o presidente enviou a Moro o link de uma reportagem do portal O Antagonista. O texto diz que a Polícia Federal está “na cola” de 10 a 12 deputados aliados do presidente.

reprodução/TV Globo

O presidente, então, respondeu: “Mais 1 motivo para a troca”, referindo-se ao desejo de tirar Maurício Valeixo –nome de confiança de Moro– da chefia da Polícia Federal.

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Moro respondeu ao presidente explicando que a investigação não havia sido pedida pelo ex-diretor da PF. “Esse inquérito é conduzido pelo ministro Alexandre [de Moraes], no STF [Supremo Tribunal Federal].

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Moro continua: “Diligências por ele determinadas, quebras por ele determinadas, buscas por ele determinadas”. E finaliza: “Conversamos em seguida, às 0900”, sinalizando reunião que eles teriam no dia seguinte, 5ª feira (23.abr).

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O ministro, aparentemente, fez uma cópia da imagem da tela com as mensagens imediatamente depois da conversa com o presidente. A mensagem de Moro foi enviada às 7h33 e a imagem da tela copiada também indicava o mesmo horário.

Essa preocupação de fazer a cópia da tela imediatamente após a conversa indica que o ministro já poderia estar pensando em coletar evidências naquele momento em que conversava com o presidente da República.

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Jornal Nacional também pediu a Moro provas de que ele não havia condicionado a troca no comando da Polícia Federal à sua indicação para o Supremo Tribunal Federal, uma acusação feita pelo presidente Bolsonaro no pronunciamento.

O ex-ministro mostrou a imagem de uma troca de mensagens com a deputada Carla Zambelli (PSL-SP). Ela, inclusive, estava nesta 6ª feira (24.abr) ao lado do presidente durante o pronunciamento. Consultada pela TV Globo, a deputada afirmou que não vai comentar a troca de mensagens.

Nelas, Carla Zambelli diz: “Por favor, ministro, aceite o Ramage”, numa referência a Alexandre Ramagem, diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Ramagem é 1 dos cotados para assumir o comando da PF no lugar de Valeixo.

Parte da deputada a proposta para que Sergio Moro aceite a mudança na PF em troca da nomeação dele para o Supremo Tribunal Federal. “E vá em setembro pro STF”, enviou a deputada. “Eu me comprometo a ajudar”, acrescentou. “A fazer JB prometer”, completou, em referência às iniciais de Jair Bolsonaro.

Prezada, não estou à venda“, responde Moro.

Eis a conversa:

reprodução/TV Globo

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Carla Zambelli, então, continua: “Ministro, por favor, milhões de brasileiros vão se desfazer“. Em seguida, ela responde à mensagem de Moro de que não estaria à venda. “Eu sei“, diz. “Por Deus, eu sei“, acrescenta. “Se existe alguém que não está à verba é o senhor“. A palavra “verba“, neste caso, parece ser “venda“, com erro de digitação. Moro finaliza a conversa dizendo: “Vamos aguardar, já há pessoas conversando lá“. Segundo o ex-ministro, era uma referência à tentativa de aliados de convencer o presidente a mudar de ideia.

reprodução/TV Globo

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