Ibope é impedido de fazer pesquisa sobre covid pela qual cobrou R$ 10 milhões

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Brasília faz testes em massa contra o coronavírus (Covid-19), no dia do aniversário de 60 anos. Moradores fazem o teste no estacionamento do Estádio Mané Garrincha. Sérgio Lima/Poder360 21.04.2020

Estudo seria em 133 municípios Teria de ser realizado em 2 dias Qualidade era ruim e ficou pior Pesquisadores têm sido agredidos

PODER360

Equipes do Ibope que iniciaram pesquisa nacional sobre covid-19 estão enfrentando dificuldades para realizar os testes. Há relatos de prisão pela polícia, proibição de governos municipais ou até agressão nas ruas.

O estudo é feito pelo Ibope sob coordenação do Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Ufpel (Universidade Federal de Pelotas). A pesquisa é financiada pelo Ministério da Saúde e seu custo estimado é de R$ 12 milhões, dos quais R$ 9,975 milhões ficarão com o Ibope. O objetivo é verificar como o vírus está se propagando em todo o Brasil para criar políticas públicas mais eficientes de combate à pandemia.

A empresa começou a testagem em massa na 5ª feira (14.mai.2020). A ideia era finalizar na 6ª feira, mas isso não foi possível. O cronograma previa a realização de 3 etapas, em 2 dias cada (14 e 15 de maio/28 e 29 de maio/11 e 12 de junho). Diante das dificuldades, a 1ª fase foi prorrogada até 3ª feira (19 de maio).

O planejamento inicial era realizar 250 exames em cada uma 133 cidades selecionadas para as etapas. No total, seriam testadas 99.750 pessoas. O roteiro incluiria a visita aos domicílios, a aplicação de 1 questionário sobre sintomas e eventuais comorbidades e a realização do teste rápido para diagnosticar a doença.

Mas em muitos municípios isso não está sendo possível. De acordo com a Folha de S. Paulo, os responsáveis por fazer a coleta foram detidos em São Mateus (ES), Imperatriz (MA), Santarém (PA), Picos (PI), Patos (PB), Natal (RN), Crateús e Serra Talhada (PE), Rio Verde (GO), Cachoeiro do Itapemirim (ES), Caçador (SC) e Barra do Garças (MT).

Houve ainda relatos de que o material para fazer os testes foi destruído e as equipes tiveram de abandonar a cidade e desistir da pesquisa. Segundo pesquisadores da Ufpel, foram perdidos cerca de 800 testes, que foram apreendidos, abertos ou quebrados.

Há também casos em que os moradores desconfiam da pesquisa. Em Campos dos Goytacazes (RJ), por exemplo, muitas famílias se recusaram a fazer o teste com medo de ser 1 golpe, segundo o jornal Terceira Via.