Brasil reinjeta gás do pré-sal e Porto do Açu importará o combustível

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Navio para regaseificar já chegou—-GNL importado ficará mais barato–Pouco interesse em fazer gasodutos

NIVALDO CARBONI–PODER360

As hidrelétricas do Porto do Açu se prepararam para importar gás natural liquefeito e regaseificar o combustível num navio que já está atracado no local. Essa iniciativa demonstra como continua inviável economicamente para a iniciativa privada aproveitar o gás do pré-sal.

Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e do MME (Ministério de Minas e Energia), o Brasil reinjetou neste ano (até abril) 6,5 bilhões de metros cúbicos de gás natural nos poços do pré-sal. O volume é bem maior do que o volume importado desse combustível no mesmo período (2,9 bilhões de metros cúbicos).

Os dados históricos disponíveis mostram de maneira clara no gráfico abaixo como o país está há mais de uma década desperdiçando essa matriz energética, pois o volume quase integral de gás natura que sai dos poços do pré-sal tem sido reinjetado.

O gás do pré-sal é reinjetado porque hoje custa caro construir 1 gasoduto para levá-lo até a costa –mesmo que seja para 1 megaempreendimento como o Porto de Açu, que fica em São João da Barra, no norte do Estado do Rio de Janeiro.

O investimento teria de ser feito com capital privado, e tal empreendimento não seria rentável. É mais fácil e barato importar o GNL de outros países e regaseificá-lo no Brasil.

O governo do presidente Jair Bolsonaro tem rejeitado propostas para investir dinheiro público nesse tipo de infraestrutura (construção de gasodutos). A equipe econômica defende o que chama “novo mercado de gás” num modelo em que tudo teria de ser feito com dinheiro privado. O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse no primeiro ano da atual administração que o custo do gás natural cairia até 40%, o que não aconteceu.

Sem gasodutos das plataformas marítimas, uma opção seria liquefazer o gás do pré-sal, embarcar o insumo em navios e levá-lo até a costa brasileira. Mas mesmo essa opção requereria investimentos nas plataformas e uma frota de navios para o transporte adequado. Como há oferta de gás natural líquido no mundo, as duas termelétricas do Porto do Açu (GNA I, com 1.338 megawatts e a GNA II, com 1.672 megawatts) preferiram importar o combustível.

As termelétricas do Porto de Açu decidiram dessa forma trazer o navio navio BW Magna para ficar atracado no local e com a capacidade de regaseificar o gás importado. Essa operação está a cargo da GNA, empresa formada pela Prumo Logística (a operadora do Porto do Açu), a BP (multinacional britânica British Petroleum) e a Siemens (alemã).