México 1970: há 50 anos, o Brasil conquistava o tri da Copa do Mundo e se eternizava na história

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 Ricardo Zanei, de São Paulo (SP)-ESPN

Há 50 anos, o Brasil se sagrava tricampeão do mundo.

Todo texto, vídeo, toda homenagem para aquela seleção brasileira, que encantou o mundo no México, em 1970, soa meio piegas. Uma das definições do termo é “sentimentalismo extremo”. Outra é “ridiculamente sentimental”. Mas não tem como ser diferente.

Primeiramente, vamos aos números. Foi a primeira e única seleção a ganhar todos os seus jogos das eliminatórias e também no Mundial. Seis vitórias, 23 gols a favor (média de 3,8) e dois contra no caminho para o México. Na Copa, mais seis vitórias, 19 gols pró (3,17 de média) e sete contra.

Nunca um campeão em campo tinha conquistado um título como técnico – Zagallo conseguiu. Nunca um jogador ganhou três Copas – Pelé ganhou, e só ele fez isso até hoje. Nunca um jogador marcou em todas as partidas de um Mundial – Jairzinho fez mais do que isso, sete gols em seis jogos.

O primeiro tricampeão levaria para a casa, de forma definitiva, a taça Jules Rimet. O Brasil conseguiu esse feito, deixando mais um “nunca” para trás.

Foi uma Copa que transcendeu o gramado e criou ícones da cultura. No Brasil, a primeira transmissão ao vivo. Em alguns lugares do mundo, a TV tinha cores, acredite, e foi a primeira vez que o planeta conheceu a camisa amarela, o calção azul, os meiões brancos. Foi lá que nasceram os cartões amarelos e vermelhos – esses não apareceram mesmo, ninguém foi expulso -, as duas substituições e cinco jogadores no banco. O México marcou ainda a estreia do álbum de figurinhas e teve até uma bola feita especialmente para aquela edição. Aliás, conhece Tospericargerja?

Falando em ícones, Pelé deixou de ser um personagem do futebol para ser uma estrela pop mundial depois daquela Copa.

Entre 31 de maio e 21 de junho, o mundo parou para ver um desfile de craques. Gordon Banks e a “Defesa do Século”. Inglaterra campeã em 1966. Beckenbauer. Cubillas. Boninsegna. Itália x Alemanha, o “Jogo do Século”. Até os gols que Pelé não fez ficaram eternizados: o chute do meio-campo contra a Tchecoslováquia, o tapa de primeira depois de um tiro de meta de Mazurkiewicz, e o drible sem tocar na bola contra o mesmo Uruguai.

O final feliz, para coroar a fanática e animada torcida mexicana, veio há 50 anos, quando o Brasil venceu a Itália por 4 a 1 e deixou vários “nuncas” para trás. O gol de Carlos Alberto Torres, o Capita, é uma obra-prima: nove jogadores da seleção tocam 29 vezes na bola em 30 segundos, até que o chute cruzado, forte, um foguete, deixa o pé direito do camisa 4 e se eterniza na história. Minutos depois, os torcedores invadiam o gramado do Estádio Azteca, e o Capita levantava a Jules Rimet pela última vez.Em entrevista em espanhol em 2010 a Fernando Palomo, o Rei do Futebol relembra a conquista do tricampeonato© Fornecido por ESPN

Em entrevista em espanhol em 2010 a Fernando Palomo, o Rei do Futebol relembra a conquista do tricampeonato

Há 50 anos, o Brasil se sagrava tricampeão do mundo.