Maia critica Lava Jato, pede fiscalização e diz que Moro ‘virou político’

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 Poder360

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou a Operação Lava Jato e pediu mais fiscalização nos trabalhos da força-tarefa. Em entrevista à GloboNews neste domingo (5.jul.2020), Maia também falou do ex-ministro Sérgio Moro (Justiça) e da relação entre o presidente Jair Bolsonaro e o Congresso.

“Espero que o procurador-geral da República [Augusto Aras] consiga organizar o trabalho. Não é uma questão de interferência no trabalho dos procuradores, que têm independência. Mas alguém tem que coordenar, alguém tem que fiscalizar. Se não, acima da força-tarefa de Curitiba parece que não há nada. Precisa ter”, disse Maia à GloboNews.

Reportagem do Poder360 revelou que o nome de Maia foi abreviado em uma denúncia de 2019. Ele aparece como “Rodrigo Felinto” (o nome completo do deputado é Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio Maia). Além dele, o presidente do Senado também teve o nome encurtado de David Samuel Alcolumbre Tobelem para “David Samuel“.

A equipe de Augusto Aras vem procurando possíveis inconsistências e erros em denúncias apresentadas pela Lava Jato. A avaliação é que essa “camuflagem” dos nomes de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre seria uma técnica para os procuradores de Curitiba investigarem autoridades sem se submeterem aos foros adequados.

Sobre Moro, Maia avalia que o ex-ministro “virou político” e tem força para ser candidato à presidência nas eleições de 2022: “Se ele for candidato, é candidato fortíssimo. Acho que fez bom trabalho no Ministério da Justiça. Falei que ele é político porque as ações dele depois que saiu do ministério são todas de político. Na minha opinião, ele caminha pra política. E acho bom que ele participe do processo”.

CPMF E REFORMA TRIBUTÁRIA

Outro tema tratado na entrevista foi a reforma tributária. Maia disse não ser favorável a criação de um imposto nos moldes da CPMF: “Sou radicalmente contra CPMF ou um imposto disfarçado. Até 1º de fevereiro, enquanto eu for presidente, não contem com a presidência da Câmara, não será pautada criação de imposto”.

A reforma tributária, no entanto, é prioridade para o 2º semestre de 2020. “Prioridade número 1 para Brasil voltar a ser competitivo é a reforma tributária. Precisamos retomar esse debate nesta semana. Impacto de médio e longo prazo, ganho de captação de investimentos”, disse Maia.